Gestão de Conhecimento e Aprendizagem Organizacional

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Ana Neves

Análise de Redes Sociais Muito Numerosas

13 Julho 2009 | 15:32
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A análise de redes sociais, de que já falei aqui, por exemplo, é algo que me interessa imenso.

Os grandes desafios de utilização desta técnica residem em:

  • escolher as questões mais adequadas tendo em consideração os objectivos e o tipo de rede
  • aplicá-la a redes com muitos membros
  • analisar os resultados, revelando os padrões existentes (e só apenas esses).

Apesar de ser uma ferramenta relativamente fácil de utilizar em redes pequenas, a análise de redes sociais torna-se bastante complicada em redes de grande dimensão.

A análise de redes sociais parte de um questionário com poucas questões e para as quais a resposta deverá ser uma lista de nomes de outros membros da rede a analisar. Assim, a questão poderá ser “Com quem costuma discutir novos projectos?” e haverá uma lista com o nome de todos os membros da rede. A resposta, geralmente, é dada assinalando os nomes relevantes.

Ora, quando a lista é grande, é um problema: listar os nomes de todos os membros não é prático e assustará certamente quem for preencher o questionário.

Este foi exactamente o problema que tive quando me pediram para fazer a análise de uma rede de 700 pessoas. Na altura, praticamente ainda sem experiência de análise de redes sociais, resolvi criar um questionário pedindo às pessoas para responderem a cada questão com o nome dos membros relevantes.

Os problemas desta abordagem são vários:

  1. o síndrome da noite dos Óscares (como eu lhe chamo), isto é, as pessoas escrevem nomes de pessoas mas, muitas vezes, esquecem-se de listar as pessoas mais importantes (por exemplo, em resposta à questão “com quem costuma discutir novos projectos?” poderiam lembrar-se de colocar colegas de outra equipa e esquecer-se de listar o seu chefe)
  2. em algumas redes, nem sempre é claro quem é membro e quem não é pelo que as pessoas podem não incluir nomes por não saber que fazem parte da rede e/ou podem responder com nomes de pessoas que não pertencem à rede
  3. o nome pela qual as pessoas são conhecidas pelos colegas nem sempre coincide, pelo que uma mesma pessoa pode ser referenciada de várias maneiras e/ou o nome indicado pelos membros da rede pode não coincidir com o nome na listagem “oficial”
  4. como nos estamos a referir a redes grandes, pode haver mais do que uma pessoa com o mesmo nome e, raramente, as pessoas respondem de forma a sabermos exactamente a qual delas se referem.

Todos estes problemas põem em risco um correcto mapeamento, e consequente análise, da rede. Como tal, é importante não os ignorar.

Algumas sugestões para minimizar a ocorrência das situações listadas:

  • pedir às pessoas para responder escrevendo o nome e o departamento de cada um dos membros que listar (para a situação 4)
  • pedir para responder escrevendo o email da pessoa (para a situação 3)
  • incluir uma lista de nomes / fotos de todos os elementos da rede (não por pergunta mas como anexo), uma “cábula” para lembrar quem faz parte da rede (situações 1 e 2).

Bom sorte!

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  • Ana Neves é sócia-gerente da knowman - Consultadoria em Gestão, Lda, empresa através da qual presta apoio de consultadoria nas áreas de gestão de conhecimento, aprendizagem organizacional, mudança cultural e social media. Tem participado como oradora convidada em conferências e facilitado workshops em Portugal, Brasil e Inglaterra. Criou e mantem o KMOL. Perfil no LinkedIn No Twitter. Ana Neves tem mais 446 textos no portal KMOL

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6 comentários

  1. cesar
    13 Jul 2009 | 16:57

    Ana Neves, muito grato pela resposta eficaz e rapida a minha questão. Foi de grande valia seus apontamentos e principalmente as sugestões. É muito bom pros neófitos a oportunidade de conversar com os seniors.
    Tenho mais uma questão sobre a analise de redes com muitos atores, e não sei se já publicou algo sobre isso aqui, se já o fez me desculpe: - quando for fazer as análises, as matrizes podem ficar em anexo no trabalho, dado o espaço que ocupariam no seu interior? ou é aconselhavel expor também as matrizes, mesmo que ocupem varias páginas? acredito que dependa do objetivo da pesquisa, mas gostaria de sua opinião.

  2.  
  3. Ana Neves
    13 Jul 2009 | 17:36

    Eu confesso que nunca incluí as matrizes de resposta. Os relatórios que tenho produzido incluem apenas a lista de perguntas, descrição da abordagem e os mapas sociais criados com base nas respostas. No caso dos mapas, pode ser preciso criar várias versões dos mesmos para destacar determinados padrões que podem não ser óbvios.
    Aconselho também a incluir os valores matemáticos (quantitativos) relativos à rede (densidade, etc.). Até hoje, porém, nunca tive necessidade de dar muita importância a esses dados sendo que, várias vezes, optei mesmo por não os incluir.
    Como diz, depende do objectivo da pesquisa e dos destinatários do relatório.
    Ainda relativamente às matrizes de resposta, sugiro que as guarde em formato digital para poder recriar os mapas se necessário no futuro.

  4.  
  5. cesar
    13 Jul 2009 | 17:45

    Muito grato pelos valiosos conselhos Ana Neves.

  6.  
  7. cesar
    20 Jul 2009 | 04:51

    Boa noite Ana, quanto a formação das questões para serem aplicadas na ARS, não encontrei muitos exemplos nas diversas publicações nacionais que acessei sobre o tema. Gostaria que compartilhasse (disponibilizasse o nome das obras) a literatura que expoe alguns exemplos de questões ou alguns exemplos de questões que a Senhora já utilizou nas ARS que realizou.
    muito grato pela habitual atenção.
    abraço

  8.  
  9. Ana Neves
    20 Jul 2009 | 10:04

    César, no livro Net Work, Patti Anklam fala imenso sobre redes sociais e a sua análise. O trabalho dela é uma referência nesta área. Bem como o de Rob Cross e Andrew Parker (ver o livro deles The Hidden Power of Social Networks).
    Finalmente, recomendo os textos de Steve Borgatti.
    Quanto a questões que eu tenha usado… bem, algumas são do género

    • “A quem se dirige para pedir informação quando está para começar um novo projecto?”
    • “Quando tem uma ideia, com quem a partilha?”
    • “A quem se dirige para saber da última fofoca?”
    • “Com quem valida o seu trabalho?”

    Algumas questões, como por exemplo esta última, não pode ser usada em todas as organizações. Dependem da cultura e dos objectivos da ARS. Quando a usei foi numa rede inter-empresa, bastante informal, e onde precisavamos identificar pessoas capazes de serem embaixadores de mudança.

  10.  
  11. cesar
    20 Jul 2009 | 15:06

    Mais uma vez, muito obrigado pelas dicas de literatura e partilha da sua experiência pessoal. Como sempre, foi muito mais que eficaz.

  12.